As fontes
Seth, Abraham-Hicks, Neville Goddard e Bashar: qual a diferença?
Por Thauã Morlin · · 6 min de leitura
Neste artigo
Seth, Abraham-Hicks, Neville Goddard e Bashar concordam que a realidade que você vive responde ao que você acredita, sente e imagina. A diferença está na porta de entrada: Seth começa pelas crenças, Abraham pelas emoções, Neville pela imaginação e Bashar pela ação guiada pela empolgação.
Essa diferença de porta muda a prática. Quem segue Seth examina as ideias que toma como fatos. Quem segue Abraham procura, a cada momento, um pensamento que faça se sentir um pouco melhor. Quem segue Neville imagina a cena do desejo realizado até ela parecer natural. Quem segue Bashar age pelo que mais empolga, sem insistir no resultado. Em alguns pontos, as quatro dizem coisas opostas, e saber onde ajuda a não misturar tudo num mesmo caldo.
Quem é cada uma, em duas linhas
Seth é a personalidade que Jane Roberts canalizou de 1963 até a morte dela, em 1984, com o marido, Robert Butts, registrando as sessões. Os livros mais lidos são Seth Speaks (1972) e The Nature of Personal Reality (1974), publicado no Brasil como A Natureza da Realidade Pessoal.
Abraham é o nome que Esther Hicks dá ao grupo de consciências que ela canaliza desde 1985, com o falecido marido, Jerry Hicks. O livro-base é Ask and It Is Given (2004), no Brasil Peça e Será Atendido.
Neville Goddard (1905–1972) não canalizava ninguém: era um palestrante nascido em Barbados que ensinava em Los Angeles. Seus livros mais conhecidos incluem Feeling Is the Secret (1944) e The Law and the Promise (1961). Os leitores chamam o ensino dele de lei da suposição.
Bashar é o ser que Darryl Anka canaliza em público desde 1983. O ensino mais conhecido é a fórmula: agir pela maior empolgação, até onde der, sem insistir num resultado.
Mais detalhes, e outras fontes como Elias, os Hathors e Ra, estão em os mestres e as fontes do MPR.
Em que as quatro concordam
- Você participa do que acontece com você. Nenhuma delas trata a vida como sorte ou castigo. Todas dizem que o estado interior tem efeito no exterior.
- O presente é onde se muda algo. Seth fala do ponto de poder no presente. Abraham, da emoção de agora. Neville, do estado em que você vive hoje. Bashar, da escolha deste momento.
- Entender não é praticar. As quatro pedem algo repetido no dia, não uma ideia aceita uma vez. É por isso que tanta gente que leu todas continua igual. Mais sobre isso em por que a lei da atração não funciona comigo.
A comparação lado a lado
| Seth | Abraham | Neville | Bashar | |
|---|---|---|---|---|
| Porta de entrada | Crenças | Emoções | Imaginação | Ação pela empolgação |
| Pergunta central | No que eu acredito? | Como eu me sinto? | Em que estado eu vivo? | O que mais me empolga agora? |
| Prática típica | Examinar crenças conscientes | Subir um degrau da escala emocional | Cena do desejo realizado; revisão | Seguir a fórmula; notar sincronicidades |
| O que fazer com o negativo | Olhar de frente e entender | Não se demorar nele | Revisar a cena | Mudar a definição |
| Papel da ação | Consequência natural da crença | Ação inspirada | Secundária | Central |
Onde elas discordam de verdade
As diferenças abaixo não são detalhe de vocabulário. Mudam o que você faz na terça-feira à tarde.
O que fazer com o que você não quer
Abraham orienta a não se demorar no que você não quer: dar atenção a um assunto o ativa, então o caminho é procurar o pensamento que traz alívio. Seth vai por outro lado: quando algo indesejado acontece, olhe para a crença que o produziu, entenda-a e escolha outra conscientemente. Na prática, uma leitora de Abraham tende a desviar a atenção; uma leitora de Seth tende a investigar. As duas coisas funcionam em momentos diferentes. Misturar sem perceber vira culpa: "não posso pensar nisso, mas preciso entender isso".
Quanto a ação importa
Para Bashar, a ação é o coração do método: a empolgação só se revela agindo, e a sincronicidade aparece para quem se move. Para Neville, a ação física é secundária: quem vive no estado certo vê os acontecimentos se arranjarem, e forçar o mundo de fora é sinal de que você ainda está no estado de quem não tem. Abraham fica no meio, com a ideia de ação inspirada: agir quando a ação vem de um bom sentimento. Seth trata a ação como consequência natural da crença mudada.
Onde está a causa
Neville coloca a causa na imaginação, a ponto de identificá-la com Deus. Seth coloca a causa nas crenças e na consciência, com uma cosmologia longa sobre eus prováveis e realidades. Abraham fala de vibração e de uma fonte não física. Bashar descreve realidades paralelas entre as quais você se desloca a cada escolha. São imagens diferentes do mesmo fenômeno, e não precisam ser conciliadas para você praticar.
O que fazer com a emoção difícil
Abraham trata a emoção como indicador: ela mostra onde você está em relação ao que deseja, e subir aos poucos é o trabalho. Seth diz que emoções seguem as crenças: a emoção difícil é uma pista da crença que está por trás. Neville praticamente não discute emoção negativa: pede que você assuma o sentimento desejado. Bashar vê o medo como um indicador de que há uma crença a examinar, não um inimigo.
Qual prática sai de cada uma
- De Seth: escrever a crença que surgiu diante de um fato e perguntar se é fato ou crença. 5 minutos.
- De Abraham: nomear a emoção de agora e procurar o próximo degrau da escala, não o topo. 2 minutos, várias vezes ao dia.
- De Neville: a cena do desejo realizado à beira do sono e a revisão do dia. 5 a 10 minutos à noite.
- De Bashar: escolher a opção que mais empolga entre as possíveis hoje e ir até onde der, sem vigiar o resultado. Ver a fórmula de Bashar.
Um roteiro que junta um passo de cada, em 10 minutos, está em como praticar a lei da atração em 10 minutos por dia.
Por onde começar
Se você já leu uma delas, comece pela prática dessa, não por uma escola nova. A familiaridade ajuda a repetir. Se você não sabe qual escolher, use a pergunta que mais te incomoda hoje:
- Se o que pesa é uma ideia sobre você ("eu não consigo", "não é para mim"), comece por Seth.
- Se o que pesa é um estado emocional que não passa, comece por Abraham.
- Se você sabe o que quer mas não consegue se ver lá, comece por Neville.
- Se você está parada, sem saber qual passo dar, comece por Bashar.
Perguntas frequentes
Posso seguir mais de uma escola ao mesmo tempo?
Pode, se souber onde elas discordam. O problema não é combinar; é seguir duas orientações opostas no mesmo momento sem perceber. Uma saída prática é usar uma escola por necessidade: Abraham para o estado emocional, Neville para a imaginação, Bashar para a ação, Seth para as crenças.
Qual a diferença entre lei da atração e lei da suposição?
"Lei da atração" é o nome popular ligado a Abraham e a livros como O Segredo, com foco em emoção e vibração. "Lei da suposição" é como os leitores chamam o ensino de Neville Goddard, com foco em assumir o estado do desejo realizado. Uma pede que você se sinta melhor; a outra, que você viva como quem já tem.
Seth, Abraham e Bashar são a mesma coisa com nomes diferentes?
Não. São materiais diferentes, com conceitos, vocabulário e ênfases próprias. Seth é denso e teórico; Abraham é centrado em emoção; Bashar é centrado em ação e empolgação. Eles se parecem no princípio geral, e divergem na prática.
Neville Goddard era canalizador?
Não. Neville era um palestrante e escritor que ensinava a partir da própria experiência e da leitura que fazia da Bíblia. Seth, Abraham e Bashar são materiais canalizados.
Qual delas é a verdadeira?
Nenhuma pede que você acredite nela sem testar. A pergunta mais útil é qual prática muda algo no seu dia. Teste uma por algumas semanas, com uma nota de 0 a 10 por semana, e deixe o resultado responder.

Thauã Morlin criou o MPR e estuda metafísica e desenvolvimento pessoal há 10 anos. Os artigos daqui seguem uma regra: nenhuma citação inventada e nenhuma promessa de resultado. As fontes de cada afirmação estão em os mestres e as fontes.